Quanto custa viajar pelos Alpes: gastos reais de uma viagem pela Suíça, Áustria e Itália
| Monte Pilatus | Foto: Julia Luiza |
Fiquei 10 dias viajando sozinha pelos Alpes para comemorar o meu aniversário e, nesse post, irei contar tudo sobre todos os meus gastos, detalhando quanto custou cada parte da minha aventura por esta região deslumbrante da Europa. Prepare-se para descobrir como organizei o orçamento, desde as passagens e hospedagens até a alimentação e as atrações imperdíveis, passando por cidades icônicas na Itália, Áustria, Alemanha e Suíça. Se você sonha em explorar a beleza dos Alpes sem estourar o orçamento, este guia de custos é para você!
Neste Guia:
Como Eu Me Planejei
Estou fazendo um intercâmbio acadêmico em Portugal então, já prevendo que eu iria querer conhecer mais desse continente, juntei dinheiro voltado 100% para viagens ainda no Brasil. Para isso, usei investimentos do Tesouro Direto, além de tentar juntar uma certa quantia de euros todo mês. A maioria das conversões foram feitas com o euro a 6,20, então levem isso em consideração. Assim, esse guia conta com os custos de uma passagem saindo da cidade do Porto, e não de alguma capital brasileira.
| Igreja de São Ignácio em Roma | Foto: Julia Luiza |
Meu Roteiro
As universidades europeias tendem a dar um recesso durante toda a duração da Semana Santa e, por coincidência, a data do meu aniversário caiu bem na quarta-feira. Para aproveitar esses dias e comemorar o meu dia em grande estilo, pensei em montar um roteiro focado nos Alpes pois, retirando os custos das passagens saindo do Brasil, eu poderia gastar um pouco mais em destinos mais caros. O meu maior foco era chegar na Suíça sem estourar o orçamento.
| Coliseu | Foto: Julia Luiza |
Eu queria muito ver as Dolomitas, mesmo que de longe e mesmo que apenas por um dia. Assim, o meu roteiro começa em Roma, que é uma cidade fácil de chegar devido a alta quantidade de voos diretos para lá. Depois de dois dias na cidade que demorou dois mil anos para ser construída, segui para Bolzano, um bom ponto para conhecer as Dolomitas e, depois, sair da Itália sem gastar tanto. Já adianto aqui que é a melhor cidade para conhecer os Alpes sem voltar para o Brasil com o nome no Serasa.
Da Itália, segui para Innsbruck, que foi uma ótima cidade para descansar por um dia e de quebra conhecer um pouco de um novo país. Depois, escolhi ir para Munique, que é uma ótima cidade para quem quer ir de trem para a Suíça, como era o meu caso. O último lugar desse roteiro ambicioso foi Lucerna, que escolhi pela proximidade com o Monte Pilatus - afinal, o meu objetivo principal era ver os Alpes Suíços de cima - e pelo ambiente aconchegante.
| Fontana di Trevi | Foto: Julia Luiza |
Passagens e Transportes
Como eu já citei anteriormente, eu estou morando em Portugal no momento, então as passagens não foram tão caras. Se tiver que sair do Brasil, recomendo procurar passagens primeiro para alguma cidade europeia com voos diretos e promoções frequentes, como Madrid, e dessa cidade procurar as passagens para o destino final. A minha ida foi Porto - Roma Fiumicino pela Ryanair, que custou R$550,00 (cerca de 90 euros, sendo 80 da passagem + 10 da mala de mão). Essas companhias low cost costumam permitir levar apenas uma mochila de 2 kg na tarifa mais barata, e todas as malas devem ser compradas à parte. A saída foi na sexta à noite, dia 27 de março. A volta para Porto foi no dia 6 de abril, com um voo Zurique - Porto com escala em Lisboa, por R$700,00 pela Tap Air Portugal.
Além disso, ainda tiveram os custos dos transportes entre as cidades, que foram muitos. Entre Roma e Bolzano optei por um trem, que custou R$220,00 pela Italo. Entre as outras cidades comprei ônibus pela Flixbus, uma companhia low cost que opera muito bem aqui na Europa, com muita pontualidade. De Bolzano para Innsbruck custou R$71,00 e de Innsbruck para Munique R$89,98.
De Munique para a Suíça escolhi ir de trem, principalmente para poder começar a aproveitar as vistas desde o transporte. Os trens tiveram que ser separados entre Munique - Zurique, por R$190,00, e Zurique - Lucerna por R$100,37 e, para ir embora de Lucerna direto para o aeroporto de Zurique, comprei um trem por R$140,00.
Assim, o total para os transportes ficou por R$2061,35.
| Basílica de São Pedro | Foto: Julia Luiza |
Itália
Roma
Passei 2 dias lá, mas paguei 3 diárias pois cheguei na madrugada de sábado. Se quiser saber mais sobre como recomendo passar dois dias lá, confira aqui o meu Roteiro Roma. Sinceramente, Roma não é uma cidade cara para a maioria das coisas, mas as hospedagens podem ser bem caras e oferecer bem pouco. Paguei R$1104,68 (cerca de 179 euros) pelas 3 diárias no Hotel Reyes Roma. Foi um hotel com ótima localização e bom serviço, mas o quarto era bem simples e sem aquecimento. Estávamos na primeira semana da primavera, com noites bem frias mas dias ensolarados e quentes (sim, 17°C é quente para quem passou dois meses sem ver o sol).
Sobre as hospedagens: Quem quiser fazer uma viagem mais no estilo de mochilão e dormir em hostels com certeza vai gastar infinitamente menos que eu gastei em hospedagens. Porém, eu era uma mulher de 20 anos viajando sozinha pela primeira vez, e gostaria de ter uma sensação maior de segurança.
Reservei 30 euros por dia para gastar com alimentação, deslocamento e lembrancinhas na cidade, o que achei mais do que suficiente. Não sei se foi porque visitei a cidade durante a baixa temporada, mas tudo estava muito barato. No primeiro dia, meu café da manhã (café + croissant) custou €3,40 e o almoço (carbonara + tiramisu) €16,00. Vale ressaltar ainda que almocei em frente ao Fórum Romano e do lado do Coliseu, e mesmo assim o valor de um prato nos restaurantes estavam entre 10 e 15 euros.
| Fórum Romano | Foto: Julia Luiza |
Como tudo estava super em conta, Roma foi a cidade onde mais comprei lembrancinhas. Os ímãs, chaveiros e mini estátuas de obras famosas estavam custando 1 euro cada, e gastei 6 euros no total. O hotel ficava do lado da estação Re di Roma, então usei o metrô durante toda a minha estadia, que custa €1,50 por 100 minutos de deslocamento.
É impossível visitar Roma sem entrar no Coliseu e nos Museus Vaticanos, e os ingressos dessas visitas foram o maior gasto que tive na cidade. A visita aos Museus Vaticanos custou €15,00, sendo 10 euros a visita (comprei o ingresso como estudante em universidade europeia, então custou metade do preço) + 5 euros da reserva online, importantíssima para evitar as enormes filas; já o Coliseu custou €24,00, e a visita incluía a entrada nos níveis 1 e 2 do Coliseu, a Arena, o Monte Palatino e o Fórum Romano.
| Praça de São Pedro | Foto: Julia Luiza |
E, por fim, tive que comprar um transfer do aeroporto até o hotel. O aeroporto é bem longe da cidade, e existe transporte público que sai do aeroporto e leva até o centro da cidade por um preço acessível, mas o meu voo chegava de madrugada e, por estar viajando sozinha, decidi reservar um motorista particular por 70 euros. Pelo o que eu pesquisei, o preço dos transfers e do Uber é bem parecido, e a forma mais barata de chegar até o centro de Roma é pelo transporte público.
Bolzano
Como queria visitar as Dolomitas, escolhi passar dois dias em Bolzano e reservei um Bed and Breakfast por R$881,09. Tinha planejado gastar 35 euros por dia lá, imaginando que um destino tão perto dos Alpes seria mais caro. Porém, assim como Roma, o valor foi bem em conta considerando a localização da cidade, e consegui fazer refeições completas por €14,00. O transporte público, apesar disso, é um pouco mais caro que em Roma. Os ônibus que rodam a cidade custam €2,00, e os ônibus que rodam a região levando os passageiros para as vilas ao redor custam €7,00.
| Centro de Bolzano | Foto: Julia Luiza |
Subi no Alpe di Siusi / Seiser Alm de teleférico por €39,00, que foi o monte mais em conta. A minha meta era subir no Seceda, mas o final de março/ início de abril ainda é temporada de ski, e muitas trilhas de caminhada estão fechadas, além de ter muita neve na região. Ainda assim, a vista é de tirar o fôlego.
| Alpe di Siusi | Foto: Julia Luiza |
O meu total de gastos na Itália para alimentação + lembrancinhas + transporte foi de €125,94, sendo que eu reservei €140,00 para os 4 dias no país, o que achei muito barato, pois comi muito bem e comprei muitas lembrancinhas. No total das atrações gastei €78,00.
Áustria
Innsbruck
Foi a cidade onde passei o meu aniversário, então paguei apenas uma diária de R$493,95. É um destino também no pé dos Alpes, e gostaria de ter subido no Nordkette mas o dia estava bem nublado e nevando. Ainda assim, aproveitei a cidade. Reservei 30 euros para gastar nesse dia, e foi quase o que eu gastei. Os preços lá foram bem diferentes de Bolzano, mas consegui encontrar um restaurante que vendia pizza por €11,90, e foi lá que almocei. No total, gastei €27,70, incluindo refeições + lembrancinhas.
| Innsbruck | Foto: Julia Luiza |
Alemanha
Munique
Duas diárias no Gambino Hotel Werksviertel custaram R$624,64, de longe o melhor preço que paguei. O hotel estava um pouco distante do centro histórico, mas ficava bem perto de uma estação da U-Bahn. Reservei 30 euros por dia para gastar por lá, e achei os preços bem mais tranquilos que Innsbruck. Apesar disso, estourei um pouco o orçamento pois queria comprar algumas coisas no mercado antes de ir para a Suíça. No total, gastei €72,69, incluindo um almoço bem completo de hambúrguer artesanal + batatas + bebida por €14,90 e lembrancinhas.
| Neues Rathaus | Foto: Julia Luiza |
Suíça
Lucerna
De longe o lugar mais caro que visitei na vida. Duas diárias no Hotel Le Stelle custaram R$1081,22. Realmente, tudo lá é extremamente caro, tanto por conta da moeda quanto pelo overpricing presente em todos os lugares. Não almocei em restaurantes por lá, preferi comer no restaurante do Coop, uma rede de supermercados bem famosa por ser o único lugar com preços normais no país. No total, para alimentação, gastei 45,30 francos suíços para os dois dias. O meu maior gasto foi com chocolates - estava na Suíça no domingo de Páscoa, não ia deixar essa oportunidade de lado. Usei o dinheiro economizado nos orçamentos das outras cidades para isso, e gastei 58,15 francos suíços em 7 barras de chocolate + 100 gramas de trufas Lindt + 2 coelhinhos de Páscoa.
| Lucerna | Foto: Julia Luiza |
Outra oportunidade que eu não iria deixar de aproveitar estando na Suíça, independentemente do valor, seria subir nos Alpes. Em Lucerna é possível subir no Monte Pilatus, e o ingresso para chegar até o topo por teleférico + bondinho custou 60 francos suíços. Assim, gastei 173,15 francos suíços nos dois dias que fiquei no país (incluindo alguns transportes de ônibus que fiz e um locker para guardar as malas na estação de trem).
| Monte Pilatus | Foto: Julia Luiza |
Gastos Totais
No total para os voos, trens e hospedagens gastei R$6246,93. Em euros para alimentação, transportes, atrações e lembrancinhas totalizei €304,33, o que em reais dá cerca de R$1900,00 para a cotação do euro a 6 reais, que foi a cotação que eu comprei a maior parte do dinheiro. Para a Suíça, 173,15 francos suíços custa cerca de R$1250,00 para uma cotação de 6,8 reais. Assim, no total, gastei cerca de R$9400,00 em uma viagem de 10 dias pelos Alpes durante a primavera.
| Monte Pilatus | Foto: Julia Luiza |
Perguntas Frequentes sobre Custos nos Alpes (FAQ)
Qual é a cidade mais barata para conhecer os Alpes?
Bolzano, na Itália, é uma das melhores opções econômicas. Ela oferece uma infraestrutura excelente e acesso direto à belíssima região das Dolomitas por preços de alimentação e transporte regional muito mais baixos do que os destinos equivalentes localizados na Suíça ou na Áustria.
Como economizar com alimentação em destinos caros como a Suíça?
A melhor estratégia é evitar comer em restaurantes convencionais e aproveitar a praça de alimentação ou os pratos prontos de grandes redes de supermercados locais, como o Coop ou o Migros. Eles servem saladas, massas, lanches e grelhados de excelente qualidade por uma fração do preço de um restaurante tradicional.
É melhor viajar de trem ou de ônibus (FlixBus) pela Europa Central?
O ônibus (FlixBus) é a alternativa mais econômica e funciona muito bem com horários pontuais para deslocamentos entre países da Europa Central (como Itália, Áustria e Alemanha). Já os trens regionais e de alta velocidade são ideais para trechos internos mais longos ou onde as ferrovias panorâmicas fazem parte da experiência turística, como na Suíça.
Vale a pena viajar sozinha pelos Alpes aos 20 anos?
Com certeza! As regiões alpinas e as cidades citadas neste roteiro possuem taxas de criminalidade extremamente baixas e sistemas de transporte público integrados e muito fáceis de usar. Para garantir total tranquilidade, a dica principal é planejar a logística com antecedência e optar por hospedagens individuais bem localizadas.
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