Fontana di Trevi | Foto: Julia Luiza

Roma é um museu a céu aberto onde cada rua conta uma história de milhares de anos. Visitar essa metrópole pela primeira vez é um sonho, mas conhecer toda uma história construída durante 2000 anos em 2 dias é um desafio enorme. Esse roteiro tem um ritmo bem acelerado, mas incrivelmente recompensador. Durante os dois dias que passei lá, tentei conhecer os pontos principais da cidade, desde o Coliseu até a Fontana di Trevi, voltando para a casa com a certeza de ter aproveitado o melhor que pude em tão pouco tempo.

  1. Sobre Roma
  2. Como Chegar
  3. Como se Locomover
  4. O Que Ver em Roma
  5. Meu Itinerário - Dia 1
  6. Meu Itinerário - Dia 2

Sobre Roma

Roma foi o meu ponto de partida durante a minha viagem aos Alpes, e passei dois dias por lá. Como era a minha primeira vez, queria conhecer o máximo de lugares possível em um fim de semana, e o ritmo foi bem acelerado. Embora seja totalmente viável conhecer o máximo de lugares em um final de semana, Roma é uma cidade enorme, com muitos lugares para conhecer e muitas multidões, não importa aonde você vá, então recomendo programar pelo menos 4 ou 5 dias para poder conhecer cada canto.

Museus Vaticanos | Foto: Julia Luiza

Ao contrário dos meus outros roteiros, nesse eu irei publicar uma versão melhorada de como eu recomendo dividir a visita da cidade em dois dias, que não foi exatamente o que eu fiz. Eu tive a brilhante ideia de agendar a minha visita ao Coliseu e aos Museus Vaticanos para o mesmo dia - e foi assim que acabei caminhando 39048 passos em 12 horas. Além disso, visitei o maior centro de peregrinação católica do mundo durante a semana santa, então dediquei uma manhã do meu roteiro para ver a missa do Domingo de Ramos, deixando de lado a minha programação para visitar as Catacumbas no processo. Esse roteiro foi escrito com muito carinho para que vocês evitem cometer alguns dos meus erros e consigam aproveitar o máximo tudo que a cidade tem para oferecer em tão pouco tempo.

Como Chegar

A porta de entrada principal é o Aeroporto Leonardo da Vinci (Fiumicino). Se você estiver chegando na cidade pelas vias aéreas, a melhor opção para chegar ao centro de forma rápida é o Leonardo Express, um trem direto que liga o aeroporto à estação Termini em apenas 32 minutos. Se você busca uma alternativa que caiba em qualquer orçamento, existem várias linhas de ônibus (shuttle bus) que fazem o mesmo trajeto por quase um terço do preço, embora o tempo de viagem dependa do trânsito. Para quem vem de outras cidades da Itália ou da Europa, os trens de alta velocidade, como o Italo ou Trenitalia, são excelentes e deixam você diretamente em Termini, o coração logístico da cidade.

Museus Vaticanos | Foto: Julia Luiza

Como se Locomover

Roma é uma cidade para ser explorada a pé, mas prepare o calçado e o fôlego. Para distâncias maiores, o Metrô é eficiente, embora tenha poucas linhas (A, B e C), pois qualquer escavação nova acaba encontrando uma relíquia arqueológica. O bilhete único custa 1,50€ e vale por 100 minutos.

Dica: Use o cartão por aproximação diretamente nas catracas para evitar filas nas máquinas de bilhetes. Para chegar ao Trastevere ou ao Vaticano, os bondes elétricos (Tram) e ônibus também são ótimas opções, mas lembre-se de validar o ticket assim que embarcar.

Basílica de São Pedro vista dos Museus Vaticanos | Foto: Julia Luiza

O Que Ver em Roma

Coliseu

O maior anfiteatro já construído, inaugurado em 80 d.C. Servia como palco para combates de gladiadores e espetáculos públicos e, como estudante de engenharia, não consegui evitar todo o encanto que senti vendo cada detalhe da complexidade daquela obra.

Coliseu | Foto: Julia Luiza

Mas aqui vai um alerta (que eu li sobre mas ignorei): Compre seus ingressos com antecedência, eles irão esgotar! A compra funciona assim; no site oficial os ingressos são liberados exatamente 30 dias antes da visita, contando também os minutos. Ou seja, se você deseja visitar o Coliseu no dia 30 de abril às 09:00, esse ingresso ficará disponível no dia 30 de março às 09:00 (no fuso horário da Itália, obviamente). Como há muitas empresas de turismo que compram esses ingressos para revender, eles esgotam em questão de minutos. Então, sabendo o dia que você deseja visitar o Coliseu, coloque um alarme no celular e compre os ingressos assim que eles ficarem disponíveis no site.

Arena do Coliseu | Foto: Julia Luiza

Eu não fiz isso. Pensei que, por ser baixa temporada e pelo tipo de ingresso ser mais simples - o que esgota em questão de segundos é o que inclui a visita ao subsolo - poderia comprar os ingressos com 3 semanas de antecedência sem problemas. O ingresso que eu queria comprar, que incluía Coliseu pisos 1 e 2 + Fórum Romano e Monte Palatino por 18 euros, estava completamente esgotado para todos os horários nos dois dias que eu ficaria em Roma, e a minha única opção seria comprar um tour guiado pelo dobro do preço através de alguma agência de viagem. Acontece que o Coliseu libera vários tipos de ingressos, e alguns são liberados exatamente 7 dias antes da visita, e essa foi a minha sorte. Achei um ingresso que incluía Coliseu pisos 1 e 2 + Arena + Fórum Romano e Monte Palatino por 24 euros.

Coliseu | Foto: Julia Luiza

Dica: Tente reservar um horário pela manhã; não para evitar filas - não existe estação em que a cidade fica vazia ou horário livre de turistas - mas para evitar o Sol. Fui na primeira semana da primavera e mesmo assim senti muito calor, mesmo com as temperaturas ficando abaixo dos 17°C.

Fórum Romano

Durante séculos, foi o coração da vida pública e política da Roma Antiga. O local concentra as ruínas mais importantes do Império. Pouco a pouco o local foi enterrado e, embora no século XVI já se conhecesse a existência do local, as escavações foram feitas apenas no século seguinte. Fica exatamente em frente ao Coliseu, e é a sequência lógica para continuar a visita.

Fórum Romano | Foto: Julia Luiza

Museus Vaticanos

Para quem quer ver a Capela Sistina essa visita é indispensável, mas não pense que é possível chegar na capela logo de cara. O complexo de museus é enorme, e reserve pelo menos 2 horas para visitar cada canto com calma. Lá, é possível ver a pintura da Escola de Atenas de Rafael, a Deposição de Cristo de Caravaggio e o molde da Pietà de Michelangelo. Não espere ficar sozinho em nenhuma sala, fui em um dos últimos horários do dia e estava lotado. Assim como no Coliseu, os ingressos abrem 30 dias antes e você deve comprar com antecedência, é comum que esgotem rápido e a fila física para a compra está sempre dando voltas pelos muros do Vaticano. Também vá com paciência, há muitos grupos de visitas guiados que sempre param nas portas da sala e atrapalham bastante o fluxo. Consegui pagar 15 euros na reserva, sendo 10 euros do ingresso para estudantes e 5 da taxa online. Para evitar cair em golpes, compre sempre no site oficial do Vaticano.

Museus Vaticanos | Foto: Julia Luiza

Vaticano e Basílica de São Pedro

Para ser sincera, eu não acreditei quando disseram que a fila para entrar na Basílica de São Pedro é grande, mas é verdade. Além disso, a Praça de São Pedro é linda, mas não tem nenhuma sombra, e não quero nem imaginar como deve ficar o calor daquele lugar no verão. Eu cheguei no Vaticano cerca das 14:00 e só consegui entrar na Basílica às 15:40. Para mim, a melhor opção é reservar uma tarde para visitar o Vaticano, entrando na fila da Basílica cerca de 13:00 e agendando a visita aos Museus para as 16:30, que foi o horário que eu escolhi. Assim, vai ser possível ver toda a beleza do Vaticano e aproveitar a Capela Sistina em um horário um pouco mais tranquilo.

Vaticano | Foto: Julia Luiza

Dentro da Basílica de São Pedro, logo do lado direito fica a estátua da Pietà de Michelangelo, atrás de uma cortina. O lugar é de tirar o fôlego, e cada detalhe merece ser apreciado com calma e atenção. A visita ao interior da Basílica é gratuita, mas se quiser subir na cúpula precisa reservar pelo site do Vaticano.

Um aviso um pouco óbvio, mas o Vaticano é uma cidade estado da Igreja Católica, e lá as regras da Igreja são lei. É obrigatório se vestir com modéstia para entrar lá, cobrindo ombros e joelhos.

Vaticano | Foto: Julia Luiza

É importante consultar o site do Vaticano para conferir os horários das Missas Papais mesmo se não quiser assistir, para saber como vai estar a entrada para o Vaticano e possíveis multidões. Se quiser participar de uma missa (que oficialmente se chama Audiência Geral), ela funciona às quartas- feiras na Praça São Pedro ou no Auditório Paolo VI no inverno. No domingo de manhã, o Papa aparece na janela do Palácio Apostólico para celebrar o Angelus. Além disso, há missas em datas especiais, como a Via Crucis na sexta-feira santa, o Domingo de Ramos (que tive a sorte de participar), a quarta-feira de cinzas, o domingo de Páscoa, a Missa do Galo, entre outras. Para ver a Angelus, nunca precisa ter um convite, basta chegar no Vaticano e passar pela revista de segurança. Para a Audiência Geral é necessário reservar gratuitamente pela Prefeitura da Casa Pontifícia, pedindo um convite. Li na internet que era necessário ter um convite para as Missas Papais, essas de datas especiais que comentei acima, mas eu só cheguei na Praça cerca de 1 hora antes da missa começar e entrei, consegui até uma cadeira para sentar e fiquei bem perto da Basílica de São Pedro e do Papa. Apesar disso, se ver uma missa for uma vontade muito grande sua, fique atento à programação do Vaticano e, se possível, peça um ingresso.

Missa do Domingo de Ramos no Vaticano | Foto: Julia Luiza

Fontana di Trevi

Alerta: desde 2026 o acesso à parte mais próxima da fonte passou a custar 2 euros. Se não quiser pagar, ou visite bem cedo pela manhã ou durante a madrugada, depois que acaba o “horário comercial”, ou aprecie a bela vista de longe, que foi o que eu fiz. Da distância que eu estava, não quis arremessar uma moeda por medo de acertar alguém sem querer, mas ainda é possível tirar fotos na fonte sem pagar a taxa.

Fontana di Trevi | Foto: Julia Luiza

Panteão de Agripa

Um dos edifícios romanos mais bem preservados, reconstruído pelo Imperador Adriano por volta de 126 d.C. Sua cúpula de concreto não reforçado, com o óculo central, é uma obra-prima de engenharia. O ingresso geral custa 5 euros, e esse é outro lugar que vale a pena comprar os ingressos pela internet, pois sempre está bem cheio.

Panteão | Foto: Julia Luiza

Catacumbas

São antigas galerias subterrâneas que serviram como cemitérios para as comunidades cristãs primitivas, principalmente durante os séculos II e V d.C. No total, são 5 abertas ao público; São Sebastião, São Calixto, Domitila, Priscila e Santa Inês. O meu plano era visitar as catacumbas de São Calixto, mas escolhi ir para o Vaticano. A visita é possível apenas com grupos de tour guiados e custa cerca de 10 euros.

Mercado de Trajano

Considerado o primeiro "shopping center" da história. Este complexo de ruínas mostra a vida comercial da Roma Antiga e é um testemunho da impressionante organização e engenharia civil romana. Senti muita vontade de entrar, mas achei o preço do ingresso (19 euros) um pouco salgado.

Termas de Caracalla

Outro lugar que não irei deixar de lado quando retornar para Roma é as Termas de Caracalla. Construídas entre os anos 212 e 216 sob o mandato do imperador Caracalla, o local foi um dos maiores complexos termais da antiguidade. A entrada custa 8 euros.

Igreja de Santa Maria In Cosmedin e Boca da Verdade

Se meus pés não estivessem pedindo menos, eu com certeza teria ido visitar essa igreja. Se trata de uma igreja medieval famosa por abrigar a Boca da Verdade, a antiga máscara de mármore que ganhou fama por morder a mão de quem mente.

Detalhe da Basílica de São Pedro | Foto: Julia Luiza

Castelo de Sant'Angelo

Se você resolver andar 3 quilômetros entre o Fórum Romano e o Vaticano à pé, irá passar por esse Castelo no caminho. Foi construído inicialmente como mausoléu do Imperador Adriano, e futuramente transformado em fortaleza militar e residência papal. A subida custa 16 euros e oferece uma bela vista do Rio Tibre.

Castelo de Sant'Angelo | Foto: Julia Luiza

Galleria Borghese

Abrigado na Villa Borghese com obras-primas do período Barroco, como esculturas de Bernini e pinturas de Caravaggio.

Atenção: Assim como na Livraria Lello em Porto (que você pode conferir um roteiro aqui), a visita aqui exige reserva prévia e horário fixo para evitar superlotação, então planeje com antecedência. A visita custa a partir de 29 euros.

Museus Capitolinos

Considerado o museu público mais antigo do mundo, fundado em 1471. Localizado no topo do Monte Capitolino, o museu oferece tanto uma rica coleção de esculturas clássicas quanto vistas espetaculares da cidade. Os edifícios foram reestruturados a partir de um projeto de Michelangelo. São dois palácios que formam o museu, e o ingresso custa 13 euros.

Detalhe dos Museus Vaticanos | Foto: Julia Luiza

Museu Nacional Romano

É composto por quatro museus; o Palazzo Massimo, as Termas de Diocleciano, o Palácio Altemps e a Cripta Balbi, e um único ingresso (8 euros) abrange a entrada desses 4 lugares.

Santa Maria Maggiore

Uma das quatro basílicas papais. Fundada no século V d.C., um dos seus destaques é a arquitetura que mescla estilos, sendo famosa pelos mosaicos paleocristãos. É lá que descansa o corpo de Papa Francisco, e também abriga a Sacra Culla, a manjedoura sagrada, uma relíquia composta por 5 pedaços de madeira de sicômoro que, segundo a tradição, pertenceram ao berço de Jesus.

Detalhe da Igreja Santa Maria Maggiore | Foto: Julia Luiza

Basílica São Paulo Extramuros

Outra das quatro Basílicas Papais, acredita-se ter sido construída sobre o do Apóstolo Paulo. Impressiona pelo seu imenso tamanho e pela galeria de retrato dos Papas. Fica mais afastada do centro - o nome “extramuros” se refere à localização fora dos muros da cidade.

Basílica de Santa Maria degli Angeli

A Basílica de Santa Maria degli Angeli é única, pois foi construída por Michelangelo dentro das ruínas das antigas Termas de Diocleciano. A sensação é de estar em um local onde a história de Roma encontra a espiritualidade, mas de uma forma bem diferente das outras basílicas. O que mais impressiona é a Meridiana, uma linha de bronze que atravessa o chão e que era usada para medir o tempo e calcular a data da Páscoa. É uma visita rápida e gratuita, e vale a pena a curiosidade histórica e arquitetônica.

Igreja de São Ignácio

Prepare o pescoço quando entrar nessa igreja, ela é famosa pela sua pintura no teto que cria uma ilusão de ótica inacreditável. O teto não tem uma cúpula de verdade, mas a pintura de Andrea Pozzo é tão bonita que faz você jurar que o teto é altíssimo e tem uma cúpula gigantesca. É um dos pontos altos da arte barroca em Roma. Chegue cedo para pegar um lugar no centro e apreciar o efeito ao máximo.

Detalhe do teto da igreja | Foto: Julia Luiza

Meu Itinerário - Dia 1

  1. Coliseu
  2. Fórum Romano
  3. Museus Capitolinos
  4. Mercado de Trajano
  5. Termas de Caracalla
  6. Igreja de Santa Maria In Cosmedin e Boca da Verdade
  7. Panteão de Agripa
  8. Igreja de São Ignácio
  9. Fontana di Trevi

Manhã:

Comece pelo Coliseu no primeiro horário. Ao sair, você já está na porta do Fórum Romano. Após as ruínas, suba o Monte Capitolino para os Museus Capitolinos (onde você terá a melhor vista do Fórum). De lá, você verá o Mercado de Trajano logo ao lado.

Tarde:

Siga um pouco mais para o sul (15 min de caminhada) para visitar as Termas de Caracalla. No caminho de volta ao centro pela margem do rio, pare na Igreja de Santa Maria in Cosmedin para ver a Boca da Verdade.

Noite:

Suba em direção ao centro para o Panteão de Agripa. A 3 minutos dali está a Igreja de São Ignácio. Termine a noite na Fontana di Trevi, que fica a uma curta caminhada de distância, fechando o dia na zona mais vibrante da cidade.

Foto: Julia Luiza

Meu Itinerário - Dia 2

  1. Vaticano e Basílica de São Pedro
  2. Castelo de Sant'Angelo
  3. Museus Vaticanos
  4. Basílica São Paulo Extramuros
  5. Catacumbas
  6. Santa Maria Maggiore
  7. Museu Nacional Romano
  8. Basílica de Santa Maria degli Angeli
  9. Galleria Borghese

Manhã:

Comece pela Basílica de São Pedro (chegue às 07:30 para evitar a fila monumental). Ao sair, caminhe até o Castelo de Sant’Angelo, que fica no final da Via della Conciliazione. Volte para os Museus Vaticanos para o seu horário agendado (idealmente perto do almoço).

Tarde:

Pegue o metrô (Linha B) para a Basílica de São Paulo Extramuros (é a mais afastada). De lá, siga para as Catacumbas (é necessário um táxi/Uber rápido para otimizar, pois o acesso por ônibus é demorado). Volte para a região da estação Termini, onde você faz o "combo" final a pé: Santa Maria Maggiore, o Museu Nacional Romano (sede Palazzo Massimo) e a Basílica de Santa Maria degli Angeli.

Noite:

Termine o dia subindo em direção à Galleria Borghese. Seus pés estarão exaustos, mas o pôr do sol nos jardins da Villa Borghese é a recompensa perfeita para fechar a maratona de 2 dias.

Detalhe da Igreja Santa Maria Maggiore | Foto: Julia Luiza