Alpe di Siusi/ Seiser Alm | Foto: Julia Luiza

Na parte italiana dos Alpes europeus, as Dolomitas são obras-primas da geologia que parecem ter saído de um conto de fadas. Com picos pontiagudos que mudam de cor com a luz do sol e vales verdes que parecem tapetes, essa região no norte da Itália é um sonho para qualquer viajante que busca a imensidão dos Alpes sem abrir mão do charme italiano. Se você sonha em ver essas montanhas de perto, este guia vai te ajudar a organizar o roteiro sem entrar em desespero com a logística.

Neste Guia:

  1. Onde Montar Base
  2. Como Chegar
  3. Como se Locomover
  4. O Que Ver
  5. Quando Ir

Onde montar base

Quando eu estava planejando a minha visita às Dolomitas, Bolzano foi a minha escolha. Durante a minha viagem aos Alpes, eu fui de Roma até Bolzano via trem (Trenitalia), uma viagem de cerca de 4 horas e meia. A cidade é uma porta de entrada da região, tem uma boa estrutura de transportes e oferece aquele equilíbrio perfeito entre a cultura do Sudtirol e o estilo de vida italiano - essa região tem uma mistura bem grande com o alemão e o italiano, com os dois idiomas presentes em tudo por lá.

Ficar em Bolzano permite que você faça um bate e volta para os principais pontos turísticos usando transporte público ou alugando um carro por um dia, sem precisar trocar de hotel constantemente. É uma cidade bem charmosa para o seu tamanho - consegui atravessar ela inteira a pé, foi um percurso de menos de 5 km. É muito bem conectada, e os preços são bem em conta considerando que é um destino nos Alpes.

Apesar disso, embora Bolzano seja a porta de entrada mais lógica e econômica, com a melhor conexão ferroviária, ela não é a sua única opção. As Dolomitas são vastas, e a escolha da sua base depende muito do estilo de viagem que você quer ter. Para mim, fez mais sentido ficar em uma cidade com maiores conexões para os países ao redor.

Centro de Bolzano | Foto: Julia Luiza

Ao meu ver, Bolzano é a escolha mais estratégica para viagens que vão se estender por mais cidades ou países. O custo-benefício é mais equilibrado, e a cidade tem uma boa vida noturna e comércio, mas você estará a uma distância considerável dos picos mais famosos, o que significa trajetos de ônibus mais longos.

Atenção: Se você escolher Bolzano, assim como eu, terá que se deslocar para Ortisei para ver as montanhas de perto. Os ônibus custam 7 euros por trajeto e a viagem dura cerca de 40 minutos.

Se o seu foco for o lado mais icônico das Dolomitas, Ortisei é imbatível. É uma vila charmosa, com carinha alpina clássica, e você já sai do hotel de cara com os teleféricos que te levam direto para os melhores mirantes. O custo é mais elevado que Bolzano, mas você ganha mais tempo para explorar as montanhas.

Cortina d’Ampezzo é o destino de luxo da região, e a melhor base se você quer estar mais perto de Tre Cime di Lavaredo e do Lago di Braies. A cidade tem um glamour italiano, lojas de marca e um ambiente bem sofisticado. É um pouco mais isolada das linhas de trem principais, então alugar um carro aqui faz a diferença.

Brunico (Bruneck) é uma boa opção para quem quer um meio termo. É uma cidade maior, com um centro histórico preservado e muita cultura tirolesa. A localização é excelente para explorar tanto o leste quanto o oeste da região, e é muito frequentada por quem busca um ambiente mais autêntico e menos “turístico” que Cortina.

Dica: Se você tem apenas 2 ou 3 dias, não tente trocar de base. Escolha uma dessas cidades e foque em explorar os arredores. O tempo perdido trocando de cidade poderia ser aproveitado apreciando uma vista incrível.

Ainda está em dúvida? Para facilitar sua decisão, identifique qual destas prioridades melhor se alinha com o seu estilo de viagem:

  • A Base Prática - Bolzano: Ideal se o seu foco é economia e logística facilitada por trens. É o ponto de entrada perfeito para quem viaja sem carro e quer explorar a região usando o transporte regional.
  • A Base Alpina - Ortisei: A escolha certa se você quer maximizar o tempo nos mirantes. Acorde já cercado pelas montanhas e com acesso imediato aos teleféricos de Seceda e Alpe di Siusi.
  • A Base Premium - Cortina d’Ampezzo: Escolha se você não abre mão de uma estrutura sofisticada, glamour e quer estar o mais próximo possível dos cartões-postais de Tre Cime e Lago di Braies.
  • A Base Autêntica - Brunico: A opção ideal se você busca um meio-termo estratégico: une uma cultura tirolesa preservada a uma localização equilibrada para explorar tanto o leste quanto o oeste das Dolomitas.

Como chegar

A logística depende diretamente de onde você escolheu montar a sua base. Em Bolzano ou Brunico, você estará na rota dos trens, e ambas são muito bem conectadas pela linha ferroviária.

Em Ortisei ou Cortina, o acesso aqui é um pouco mais complexo. Você provavelmente chegará de trem até um hub - como Bolzano para ir a Ortisei, ou Calalzo di Cadore para chegar até Cortina - e precisará completar o trajeto de ônibus regional ou transfer privado. Se optar por uma dessas cidades, planeje bem o horário dos ônibus de conexão, pois eles não operam com a mesma frequência frenética das linhas de trem.

Como se locomover

A sua escolha de base também define como você vai se virar por lá. Em Bolzano e Brunico, o transporte público é o seu melhor amigo. O sistema de ônibus da região é excelente e muito pontual. Existem passes regionais que dão acesso ilimitado, o que vale muito a pena. Você pode pagar por aproximação com cartões de crédito ou débito, ou usar o aplicativo altodigemobilità, muito útil para comprar passes e ingressos e confirmar o seu percurso pela região.

Se a sua base for em Cortina, o carro é quase obrigatório para ter liberdade, mas é importante lembrar que no auge da temporada algumas estradas restringem o tráfego ou exigem estacionamentos pagos caríssimos.

Em Ortisei você terá o melhor dos dois mundos. O transporte interno é ótimo, mas os teleféricos são a alma do lugar e, sem eles, você perde acesso aos mirantes principais.

Atenção: Os teleféricos são essenciais para chegar no topo de algumas montanhas. Durante o inverno, a maioria das trilhas são fechadas e transformadas em pistas de ski. No verão, as trilhas de caminhada e os refúgios de montanha abrem suas portas, permitindo que você explore a paisagem de forma mais livre e aproveite as caminhadas sob o sol, garantindo uma experiência completa pelas montanhas. Durante a primavera e outono os teleféricos geralmente não funcionam, então pesquise as datas de cada estação antes de comprar as suas passagens.

Alpe di Siusi/ Seiser Alm | Foto: Julia Luiza

O que ver

As Dolomitas são vastas e cada vale oferece uma perspectiva diferente. Se você tem pouco tempo, aqui estão os pontos que, para mim, são inegociáveis em um roteiro focado nas Dolomitas.

Tre Cime di Lavaredo

É o cartão postal mais famoso. São três picos imensos que parecem brotar da terra. A volta completa é uma caminhada relativamente fácil e com vistas que mudam a cada curva. Existe uma estrada com pedágio que te leva até o Refúgio Auronzo, poupando muita subida. Vá bem cedo para garantir vaga no estacionamento.

Lago di Braies

Provavelmente o lago mais fotografado da região, com águas verde-esmeralda que refletem as montanhas. O lugar fica extremamente lotado, e,se quiser tirar aquela foto clássica no píer sem centenas de pessoas no fundo, você precisa chegar antes das 8h da manhã.

Seceda

É uma montanha que parece um corte afiado na terra, e o acesso fica fácil a partir do teleférico que sai de Ortisei.

Alpe di Siusi (Seiser Alm)

Foi o pico que resolvi visitar de teleférico. Visitei as Dolomitas no final de março, ainda no inverno, mas valeu bastante a pena. É o lugar perfeito para uma caminhada relaxante, mesmo com neve.

Vista do Alpe di Siusi/ Seiser Alm com neve | Foto: Julia Luiza

Val di Funes (Santa Maddalena)

Se você quer aquela foto clássica na pequena Igreja de San Giovanni, com os picos pontiagudos do Odle ao fundo, esse é o lugar.

Quando ir

A melhor época depende 100% do que você quer fazer, se quer focar nas trilhas ou no ski. O verão, de julho a setembro, é a época de ouro para quem quer fazer trilhas. Todos os refúgios de montanha estão abertos, os teleféricos estão funcionando e o clima é perfeito para caminhar sem passar frio excessivo. É quando você verá as Dolomitas verdes e cheias de flores.

O inverno, de dezembro a março, é o paraíso para quem ama esportes de inverno e, sinceramente, os preços que eu vi lá não foram salgados, principalmente comparando com o que eu paguei para esquiar no Valle Nevado, em Santiago no Chile. Nessa época, a maioria das trilhas de caminhada ficam fechadas e são transformadas em pistas de ski, mas não todas. Quando visitei o Alpe di Siusi/ Seiser Alm, uma trilha circular que passava pelos refúgios estava aberta.

Esquiadores no Alpe di Siusi | Foto: Julia Luiza

Os meses de baixa temporada, geralmente primavera e outono, podem ser tentadores por conta aos preços mais baixos e multidões menores, mas são mais “perigosos” para quem quer planejar a viagem perfeita. Em maio/ junho e outubro/ novembro, muitos teleféricos fecham para manutenção entre as temporadas de inverno e verão. Além disso, as trilhas de alta montanha podem estar com neve acumulada ou lama. Se seu foco é fazer trilhas e explorar os mirantes, evite esses meses. Você pode chegar lá e descobrir que os teleféricos que levam aos pontos principais estão parados.

Pensando em continuar a sua viagem pela Itália? Então confira aqui o meu roteiro de dois dias em Roma.

Perguntas Frequentes sobre as Dolomitas

Preciso de visto ou permissão especial para dirigir?

Para cidadãos brasileiros, não é necessário visto para turismo na Itália (Espaço Schengen) por até 90 dias. Quanto à direção, a sua CNH brasileira é aceita, mas a Permissão Internacional para Dirigir (PID) é fortemente recomendada e, em caso de fiscalização ou necessidade de seguro, pode ser exigida. Sempre ande com os dois documentos.

Quanto custa o pedágio para Tre Cime di Lavaredo?

Sim, existe uma estrada com pedágio que leva até o estacionamento do Refúgio Auronzo, a Strada delle Tre Cime, poupando horas de subida a pé. O valor para carros de passeio costuma ser em torno de 30 euros. Chegue bem cedo, antes das 8h, pois o estacionamento lota rapidamente e, quando cheio, o acesso pela estrada é bloqueado.

É seguro ir sozinho para as trilhas?

Sim, as Dolomitas são extremamente seguras. No entanto, o montanhismo exige respeito à natureza. Nunca saia sem mapas - os mapas da Tabacco são os melhores e indispensáveis - e verifique sempre a previsão do tempo antes de sair, o clima nas montanhas muda drasticamente em minutos, e prefira trilhas demarcadas. Se for se aventurar em trilhas mais longas, avise alguém sobre o seu roteiro.

Como reservar os refúgios de montanha?

Os refúgios (Rifugi) são muito procurados, especialmente entre julho e setembro. Para garantir vaga, você deve reservar com meses de antecedência, diretamente pelo site do refúgio ou por e-mail. Muitos não usam plataformas de reserva tradicionais, então o contato direto é a forma mais eficaz. Se o seu plano é fazer a volta completa de várias montanhas, reserve todas as paradas antes de sair de casa.